Médica responsável Dra. Maria Paula Del Nero CRM-SP: 74.594 / RQE: 103.535

Dermatologia Clínica - Vitiligo

Vitiligo é uma patologia de despigmentação, onde manchas branco leitosas podem acometer toda a pele, especialmente pés, mãos, órgãos genitais e face. Normalmente são bilaterais (aparecem dos dois lados do corpo), mas também se apresentam únicas, isoladas ou disseminadas.

Sua frequência e prevalência relativamente elevadas fizeram com que alguns autores não considerassem o vitiligo como uma patologia. Outros ainda foram mais longe: chegaram à conclusão de que a pele manchada dessa forma é perfeitamente normal, tendo em vista que alguns animais são exatamente assim e nem por isso são repelidos entre si ou entre nós. Ao contrario, alguns ainda são mais especiais pelas manchas que apresentam. Mas o ser humano é social e psicologicamente mais complicado. E para um indivíduo que não nasceu com manchas, ir perdendo gradativamente a cor, pode ser extremamente traumático!


Causas

A origem do vitiligo é desconhecida. Alguns autores tentam relacioná-lo a problemas endócrinos, pois alguns pacientes com vitiligo apresentam alterações de tireoide e diabetes, a fatores imunológicos (as vezes está associado a afecções de autoimunidade) e emocionais (é muito comum a associação entre acontecimentos importantes na vida do indivíduo e o aparecimento das manchas ou o agravamento das mesmas em função do stress). Cabe, aqui, uma consideração importante: alguns pacientes não se referem a problemas emocionais consideráveis antes do aparecimento das lesões. Só que socialmente há rejeições e isso pode significar uma piora do quadro clinico. É que nossa sociedade é extremamente rigorosa quanto à perfeição dos seres humanos.

Geralmente, o vitiligo está associado não só à ausência de melanina, como também à ausência de melanócitos (células que produzem o pigmento) nas zonas afetadas.


Tratamento

A cura do vitiligo é uma busca incansável no mundo todo. Em nossa experiência clínica, o uso de psoralênicos (drogas que aumentam a sensibilidade da pele a luz ultravioleta) e a exposição subsequente à luz ultra – violeta (método PUVA) traz excelentes resultados, especialmente se bem orientado, quanto à dose de exposição à luz. Neste segmento de tratamento atualmente podemos contar com o equipamento B-Clear.

Outras possibilidades: uso de psoralênicos tópicos, exposição à luz (inclusive usa-se a luz solar) e corticoides de uso tópico, que agiriam anti-inflamatórios, produzindo pigmentação das lesões.

É possível ainda injetar corticoide diretamente na mancha (intralesional). Os resultados são excelentes principalmente quando houver poucas lesões a tratar. No entanto, as injeções devem ser preparadas pelo dermatologista.

Foi desenvolvida há alguns anos a técnica de micro enxertos de pele. Consiste em retirar pequenos fragmentos de pele pigmentada de determinada região e recolocá-los na área despigmentada. A técnica apresenta boa resposta e pode ser uma alternativa para pessoas com poucas lesões.

Há também uma nova possibilidade terapêutica que propõe o uso de filtros solares diariamente nas áreas de vitiligo expostas ao sol. A razão é a seguinte:

Por estas áreas não terem pigmento, são mais sensíveis ao sol. E para que o momento da fototerapia (exposição terapêutica à luz) seja especial para a pele com um grande estímulo a pigmentação. Portanto, orientamos que o paciente use filtro solar diariamente, para que no instante do recebimento da luz pela pele na fototerapia, este estímulo seja extremamente especial e pigmentante.

Outra consideração (talvez a mais importante) é que, discussões à parte, o paciente bem amado ou bem tocado do ponto de vista emocional apresenta melhores respostas aos tratamentos. Temos observado pacientes que usaram as mesmas técnicas e não responderam a elas da mesma forma e após abordagens psicanalíticas (ou psicológicas em pinceladas de suas vidas) passaram a apresentar uma pigmentação exuberante em todas as áreas do corpo.

Sem dúvida, se o ser humano é capaz de inibir a melanogênese, ele deve ser capaz de refazê-la!

Existe uma conduta cubana em que se utiliza extrato placentário (melaginina) em aplicações tópicas com subsequente exposição à luz infravermelha. Alguns dos nossos pacientes usaram esta técnica com pouquíssimo ou nenhum resultado. No entanto, Cuba fala sobre resultados maravilhosos.

Vale saber que não existe comprovação científica sobre este método, portanto não podemos endossá-lo como proposta terapêutica. Quando pesquisas e demonstrações clínicas bem elaboradas provarem o contrário, poderemos indicá-lo com segurança!


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